Postagem de História Ilimitada
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História Ilimitada
há 6 dias
Em 2013, o Brasil aprovou a chamada PEC das Domésticas, que garantiu à categoria jornada de 44 horas semanais, limite de 8 horas por dia e pagamento de hora extra. Muita gente achou que aquilo era uma conquista recente.
A luta tinha começado 77 anos antes. E quem começou foi uma mulher que já era doméstica desde os 7 anos de idade.
Laudelina de Campos Melo nasceu em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, em 12 de outubro de 1904, menos de 20 anos depois da abolição. Filha de uma lavadeira, começou a trabalhar aos 7 anos para ajudar a criar os 5 irmãos mais novos. O pai, lenhador, morreu num acidente de trabalho quando ela tinha 12.
Aos 16 anos já participava de organizações de mulheres negras. Aos 20, mudou-se para Santos, no litoral paulista.
Foi ali, em 1936, aos 32 anos e com 14 de profissão, que ela fundou a primeira associação de empregadas domésticas do Brasil. A pauta era direta: assistência às trabalhadoras e às famílias delas, e a inclusão da categoria na CLT, a lei que já garantia direitos a outros trabalhadores.
Sobre as colegas mais velhas, ela dizia que muitas trabalhavam 23 anos e terminavam a vida na rua, pedindo esmola. E que aquilo era resíduo da escravidão.
Em 1942, o governo fechou a associação. Laudelina não parou. Em 1961, já morando em Campinas, fundou outra. Nos anos seguintes, a entidade sobreviveu como deu.
Só em 1988, com a nova Constituição, ela finalmente virou sindicato.
Laudelina morreu em 12 de maio de 1991, aos 86 anos, em Campinas.
A equiparação de direitos que ela pedia desde 1936 chegou em 2013. Foram 77 anos entre o começo da luta e a vitória. Ela morreu 22 anos antes.
Em 2020, o Google a homenageou no dia em que ela completaria 116 anos.
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*Imagem ilustrativa gerada por IA


